O estado do Pará registrou 60.664 hectares de exploração madeireira entre agosto de 2024 e julho de 2025, a maior área desde o ciclo 2019-2020.
Este número representa um aumento de mais de 40% em relação ao ciclo anterior, de agosto de 2023 a julho de 2024, de acordo com dados do Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex).
Os pesquisadores do Imazon, Instituto Centro de Vida (ICV) e Imaflora identificaram que 68% da área explorada foi autorizada, enquanto 32% aconteceu de forma ilegal.

A situação levanta preocupações sobre o impacto ambiental e a necessária fiscalização na exploração madeireira na região.
Aumento da exploração madeireira
O estado do Pará registrou um incremento significativo na exploração madeireira, totalizando 60.664 hectares entre agosto de 2024 e julho de 2025. Este representa a maior área explorada desde o ciclo 2019-2020 e um crescimento superior a 40% em relação ao ciclo anterior, que se estendeu de agosto de 2023 a julho de 2024.
Esses dados foram obtidos por meio do Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), uma rede formada por instituições de pesquisa ambiental como o Imazon, o Instituto Centro de Vida (ICV) e o Imaflora. As informações foram obtidas através de imagens de satélite e cruzadas com as autorizações emitidas pelos órgãos competentes.
Do total mapeado, 41.538 hectares, equivalente a 68% da área, foram explorados legalmente, enquanto 19.126 hectares, ou 32%, foram obtidos de forma ilegal. A pesquisa destaca que, apesar do aumento na exploração autorizada, a área explorada sem autorização ainda representa uma extensão preocupante, similar à de mais de 19 mil campos de futebol.
Impacto da extração ilegal
A extração ilegal de madeira continua a ser um problema grave no estado, representando um impacto significativo no meio ambiente. A queda aproximada de 6% na exploração sem autorização foi apontada como uma melhoria, mas não deve ser motivo para complacência. Carlos Souza Jr., coordenador do programa de monitoramento da Amazônia do Imazon, alerta que, de acordo com um cenário conservador, entre 38 mil e 57 mil árvores foram derrubadas sem qualquer plano de manejo ou rastreabilidade de sua procedência. Essa quantidade maciça de madeira no mercado compromete a transparência e prejudica os esforços de regularização do setor florestal.
A exploração madeireira ilegal, além de afetar a biodiversidade local, agrava problemas sociais, especialmente nas comunidades que dependem da floresta. Camila Damasceno, pesquisadora do Imazon, enfatiza a necessidade de ações firmes para restringir esses atos, além de implementar mecanismos que incentivem o manejo florestal responsável e comunitário.
Importância das terras indígenas
Os dados do levantamento também revelam que as terras indígenas do Pará concentram apenas 2% da atividade ilegal detectada, reforçando o papel desses territórios como barreiras contra a expansão dos crimes ambientais. Foram registrados 424 hectares de extração ilegal de madeira nas terras indígenas entre agosto de 2024 e julho de 2025, um dos menores volumes históricos.
No entanto, a repetição desses números em relatórios anteriores aponta para uma vulnerabilidade contínua. A Terra Indígena Amanayé, em particular, tem sido foco recorrente de invasões, o que, segundo a pesquisadora, gera conflitos e violações dos direitos dos povos originários, comprometendo sua saúde e modos de vida tradicionais.
Com isso, os dados ressaltam a urgência em fortalecer a proteção das terras indígenas e promover estratégias que dificultem a exploração madeireira ilegal, garantindo a preservação ambiental e a proteção cultural dos povos que habitam essas regiões.


