As eleições de 4 de outubro de 2026 resultaram na vitória de candidatos alinhados ao bolsonarismo em pelo menos sete dos nove estados da Amazônia Legal, refletindo um aumento na influência da extrema direita na região e na ameaça à Floresta Amazônica.
Resultados das eleições na Amazônia
As eleições de 4 de outubro trouxeram resultados alarmantes para a Floresta Amazônica e seus habitantes. O bolsonarismo na Amazônia consolidou sua influência ao garantir o comando de pelo menos sete dos nove estados que compõem a região. Os estados do Acre, Rondônia, Roraima, Mato Grosso e Tocantins já se alinham à extrema direita, e agora, com as recentes derrotas dos governadores aliados a Lula, Pará e Amapá também foram conquistados por candidatos bolsonaristas. Essa vitória representou um retrocesso significativo no que diz respeito à proteção ambiental e ao respeito às comunidades locais.
Outro estado que ainda pode trazer mudanças é o Amazonas, onde o senador Omar Aziz, do PSD, e a Professora Maria do Carmo, do PL, disputarão o segundo turno. Ambos possuem posições que colocam em risco a conservação do meio ambiente, refletindo a tendência geral de aliança com o PL da Devastação.

A derrota dos aliados de Lula
Os governadores de Amapá e Pará, que eram aliados de Lula, não conseguiram se reeleger, deixando a única chance de o PT influenciar a política na região nas mãos de candidatos que não compartilham compromissos sérios com a proteção ambiental. No Pará, Antônio Furlan derrotou o candidato do ex-governador Helder Barbalho, e no Amapá, Daniel Santos saiu vitorioso em uma plataforma que prometia minar a fiscalização ambiental. Essas derrotas evidenciam a fragilidade do governo federal em adotar medidas efetivas para preservar a Amazônia diante da pressão política crescente.
A situação se complica ainda mais nos outros estados. Não foi possível descobrir um grau de resistência significativa que pudesse contrabalançar a força do bolsonarismo na Amazônia. As promessas eleitorais de apoio à exploração predatória e o desmantelamento das leis de proteção ambiental mostram o direcionamento alarmante das políticas futuras na região.
Candidatos bolsonaristas e suas promessas
Os candidatos bolsonaristas que emergiram das eleições trazem em suas plataformas uma oposição contundente a qualquer forma de regulamentação ambiental. Em Roraima, Arthur Henrique venceu com uma proposta direta de expurgar os garimpeiros da Terra Indígena Yanomami, uma promessa que pode ser usada como um mero discurso retórico para cativar os eleitores locais. No entanto, o vácuo deixado por Lula e sua administração, que procuraram promover a preservação, não se concretizou em ações efetivas que refreassem a ascensão da extrema direita.
Em Mato Grosso, a eleição de Otaviano Pivetta, com vínculos diretos ao bolsonarismo, assinala também uma continuidade de práticas prejudiciais ao meio ambiente. Apesar de derrotar o candidato do PL, a influência de antigos governadores contrários às políticas ambientais ainda é forte, reafirmando a permanência de interesses que priorizam a exploração em detrimento da conservação.
Fatores que impulsionam a extrema direita
A ascensão do bolsonarismo na Amazônia pode ser atribuída a três fatores principais identificados em pesquisas do Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal. Primeiramente, o antipetismo que tomou força a partir da Operação Lava Jato desempenha um papel crucial. Em segundo lugar, a forte influência do eleitorado evangélico na Região Norte, que representa quase 37% da população local, criou um espaço fértil para a promoção de ideais conservadores. Por fim, as políticas favoráveis ao agronegócio, implementadas por governos anteriores, repetidamente favoreceram o desmatamento e a exploração de terras na região.
Apesar dos incentivos recebidos, a rejeição dos ruralistas em relação à esquerda se mantém firme. Assim, o ambiente político fica marcado por uma polarização que parece inibir tentativas do governo atual de reverter os danos que o bolsonarismo na Amazônia provocou.
A ameaça ao meio ambiente na Amazônia
A futura administração sob influência bolsonarista se aproxima de um cenário sombrio para a maior floresta tropical do planeta. A combinação de governos comprometidos com a exploração predatória junto ao retrocesso das políticas ambientais estabelecidas anteriormente gera um panorama desalentador. A desregulamentação que se aproxima, se concretizada, abre as portas para uma devastação ainda maior.
O que se observa é que, na iminência de uma possível vitória do bolsonarismo na presidência nas próximas eleições, não haverá mais barreiras eficazes para impedir a conversão da Amazônia em áreas destinadas ao pastoreio e à monocultura. O resultado dessas eleições é um marco que ressalta a urgência de um novo comprometimento social e político para o futuro da região, cada vez mais ameaçado.


